article n°1/12
le 11/01/2006 à 21:09
les mots des autres
"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."
Álvaro de Campos - Jornal de Poesia - 1935
article n°2/12
le 05/11/2005 à 03:07
un peu de musique
"Tudo aquilo que vivemos são histórias
Tudo o que temos agora são memórias
Sempre olhando em frente, verso a verso
Criando o futuro, passo a passo
Nada aqui é permanente
Tudo o que tem começo também acaba
Cinzas, pó e nada
Os filhos da madrugada, bem aventurados
O nosso fado faz chorar as pedras da calçada"
Dealema - Dealema - 2005
article n°3/12
le 19/08/2005 à 00:25
un peu de musique
"Nós Temos
Papeis definidos na sociedade
Nós Vamos
Elevar a juventude
Tentamos
Dar-vos uma identidade
Criamos
Música com atitude"
Dealema - Dealema - 2005
article n°4/12
le 09/07/2005 à 22:40
in the afternoon

Margarida Cepêda - A criação de Eva - Março 2005
article n°5/12
le 28/03/2005 à 15:39
un peu de musique
"Carreiro
Deserto
Tão longe
E tão perto
Anseio
Secreto
Encontro
Mais certo
Caminha na estrada
De Santiago
A estrada marcada
por tanto passo
Ao longo
Dos séculos
Passaram
Milhões
A vista
cansada
De tantas
paixões
Acorrem à estrada
De Santiago
A estrada marcada
Por tanto passo
E como
se sente
tão acompanhado
Se não vê
mais gente
Nem tem ninguém
ao lado
Caminha na estrada
de Santiago
a estrada marcada
por tanto passo"
Madredeus - Faluas do Tejo - 2005
article n°6/12
le 18/12/2004 à 16:10
un peu de musique
"Todos os Patinhos
Acabam de brincar
Acabam de brincar
Os Pijamas vão vestir
E os dentes vão lavar
Os Pijamas vão vestir
E os dentes vão lavar
É que a esta hora
É hora de ir dormir
É hora de ir dormir
Mas ainda há tempo
Para uma história ouvir
Mas ainda há tempo
Para uma história ouvir
Pais mães ou avós
À cama lhes vão dar
À cama lhes vão dar
Um beijo de boa noite
E a luz apagar
Um beijo de boa noite
E a luz apagar"
Vamos Dormir
article n°7/12
le 02/12/2004 à 12:56
des nourritures terrestres
Ingredientes
Para 6 a 8 pessoas
1 litro de feijão branco grande
3 cebolas
1 colher de sopa de azeite
3 cenouras
1 orelheira de porco fumada
300 g de pernil fumado
1 pé de porco fumado
1 ramo de salsa
3 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de banha
1 folha de louro
2 dentes de alho esmagados
1 ou 2 tomates
1 salpicão
1 farinheira
1 chouriço de sangue
1 chouriça de carne
sal
pimenta
piripiri
Para o arroz
500 a 600 g de arroz
2 dentes de alho
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de banha
1 colher de sopa de margarina
sal
Confecção:
Chamuscam-se a orelheira, o pernil e o pé de porco e põe-se tudo de molho de um dia para o outro.
Depois lavam-se em água quente e raspam-se.
De véspera, põe-se também o feijão de molho em água fria.
O feijão deve ser branco, grande mas não feijoca.
Põem-se a cozer em água simples as carnes que se prepararam.
Como o tempo de fumeiro é muito prolongado em Trás-os-Montes (as lareiras funcionam durante grande parte do ano), a carne não deve ser totalmente cozida nesta água mas acabar de cozer juntamente com o feijão.
A água que serviu para cozer as carnes é aproveitada para a lavadura dos porcos.
Coze-se o feijão em água com um fio de azeite, as cenouras inteiras e duas cebolas.
Quando as carnes estiverem meias cozidas, juntam-se ao feijão; 10 minutos antes de terminar a cozedura do feijão, junta-se-lhe a farinheira, o salpicão, a chouriça e o chouriço de sangue que estiveram de molho em água quente.
À parte faz-se um refogado com a restante cebola, o azeite, a banha, o louro, os alhos esmagados, o tomate em bocadinhos e a salsa partida à mão.
À medida que este refogado for alourando, vão-se juntando pinguinhos de água de cozer o feijão.
Juntam-se depois o feijão e as carnes cortadas em bocados e as cenouras cortadas em rodelas.
Rectifica-se o sal, pimenta e geralmente junta-se um pouco de piripiri.
Os chouriços reservam-se para o arroz que acompanha a feijoada.
Preparação do arroz: Alouram-se os dentes de alho nas gorduras.
Quando o alho estiver escurinho retira-se.
Adiciona-se o arroz à gordura e deixa-se fritar.
Rega-se com água quente (duas vezes o volume do arroz), reduz-se o calor, tempera-se com sal e deixa-se cozer.
Enfeita-se a superfície do arroz com rodelas alternadas de chouriço e de chouriça que foram reservados para o efeito.
article n°8/12
le 20/11/2004 à 23:35
les mots des autres
"Olha, olha, olha
A saia da Margarida
Olha, olha, olha
esta um bucado comprida"
article n°9/12
le 28/10/2004 à 23:59
mes idioties
Bagaço vai entrar em Bretagne.
article n°10/12
le 14/10/2004 à 01:11
les mots des autres
"Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra."
Álvaro de Campos - Tabacaria - 1928
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morceaux choisis
- À venir naître au monde.
- Poème au temps qui reste
- Lettres à elles lisent
- Coupé du monde 2006
- Ctrl + Z, undo, undo, undo...
- À l'envers du décor
- Un dimanche, un café, madeleine...
- Prescription d'immobile
- Clichés
- Remarque importante
- Le son de choses
- Dans sa plus belle robe à fleur.
- Humeurs de chien
- Zône interdite
- Novembre à l'avenant.
- Une minute
- Chouette !
- Réverbère des sourires
- Mot-aime.
- Juste un peu de baume, là.
- 21st Century Crooners
- Que bonita es la vida contigo
- Oui, Yes, Sim, Si, Ja, Jes
- Bleu du ciel, bleus à l'âme
- Borbo 2 - Jameson addict - Hic
- Grisaille et violoncelles.
- Je pense donc je triste
- Sortir un lapin d'un carton à chapeau...
- Sourire
- Manif estou
- Parenthèse
- Nuit
- Allongé dans l'herbe
à propos
Le 11 juillet 2004, jour de désœuvrement, quelque peu désorienté, je couchais mes premiers mots sur ce cyber-espace. Espace qui me ressemble, sans décors, artifices. Structuré, catégorisé, daté. Ces cadres-repères que je bouscule souvent évitent aux pauvres phrases de tituber de trop. Vascille, oscille, sinusoïde reflet de mon temps qui s'écoule. Y trouvé-je mon compte ? Écrire me plait assez. Oh, c'est bien inégal et sans fil conducteur. Espace semi-public au contenu privé. J'y écris mes peines, mes joies, mes émotions, mes goûts, mes sensations, mon vécu, ma vie. J'y cite des auteurs, présente de la musique. Les langues s'y mélangent. Internationalisation.
J'ai toujours pensé arrêter un jour anniversaire...
Peut-être vais-je continuer. Anonyme page personnelle perdue sur l'immense toile, coque de noix, radeau de fortune. Elle est un miroir dans lequel je ne me mire jamais. Elle est une trace, un souvenir, anecdotes d'existence. Sans consistance, sans rythme, sans valeur, sans recul. Elle reste encore et toujours cette histoire écrite par un idiot, pleine de bruit et de fureur qui ne signifie rien. Elle est un exercice, un arrêt sur image, une pause quotidienne. Un moment de détente, un instant d'analyse, un regard sur moi-même. Elle est moi et elle ne l'est pas. Elle est le moment ou je m'arrête. Elle est l'instant repli. Autodérision ? Autosatisfaction ? Autosuffisance ? Auto, auto, auto... 562 articles aujourd'hui. Mysanthropie.